domingo, 5 de junho de 2011

O Pequeno Nicolau (título original: Le Petit Nicolas)

O Pequeno Nicolau (título original: Le Petit Nicolas)



É um filme francês lançado em 2009, é baseando em um livro de mesmo título, de literatura juvenil escrito em 1959, por René Goscinny. As aventuras de Nicolas aparecem pela primeira vez no jornal belga, Le Moustique entre 1955 e 1958. As publicações em jornal viraram livro, filme e agora um desenho animado. A história se passa nos anos 50, no filme as cenas acontecem majoritariamente na escola e na casa de Nicolas. O foco da trama é a imaginação das crianças, Nicolas acha que terá um irmão e que por este motivo seus pais irão abandoná-lo na floresta. Nicolas faz um grupinho com seus amigos com o objetivo de evitar que a chegada do seu irmão se consolide. Em meio a tanta imaginação, encrencas e personagens cômicos muito bem elaborados o roteiro se desenrola, e o telespectador se extasia com esta verdadeira obra de arte.

Um filme como há muito tempo não se produzia. Um roteiro fantástico, extremamente engraçado, é um filme com trama destinada ao público infantil, porém, é muito bem elaborada; o desenrolar da trama surpreende, o filme supera as limitações da categoria infanto-juvenil. É uma comédia deliciosamente empolgante e envolvente, falo com convicção que até os mais mal humorados, com certeza, darão muita risada.

A fotografia do filme é uma coisa a ser destacada, as imagens são muito bonitas e agradaveis, isso é um fator muito importante nesta película porque é para crianças e tem uma temática no passado, o que em geral não agrada muito o telespectador infantil. Neste sentido a fotografia foi feita de uma forma que deixa o filme com uma aparência bem atual prendendo a atenção das crianças. O figurino e o cenário são outros pontos fortes desta produção. Todos estes fatores associandos são os parâmetros para sustentar a afirmação que fiz no fim do primeiro parágrafo: uma verdadeira obra de arte.

Em um momento em que somos bombardeados por Hollywood com tanta mesmice, tanta trama elementar, as quais ao iniciar o filme já podemos supor os prováveis finais. Na categoria deste filme, que aqui me coloco a avaliar, Hollywood se apresenta realmente defasada e há muito tempo não lança nada que vale a pena perdermos nosso tempo e dinheiro. Os filmes destinados às crianças ainda trata estas como seres de capacidade mental limitada, pensamento este bem remoto que não condiz com a realidade, pois basta um pequeno convívio com crianças para percebermos o quanto elas são perspicazes. Elas vivem nos surpreendendo, estas constantes surpresas nada mais são do que demonstrações da nossa visão preconceituosa em relação às crianças. As animações estadunidenses, por outro lado, quebraram essa linha de pensamento, as grandes produtoras estão fazendo filmes com roteiros bem eleborados, com diálogos e tramas bem amarradas e complexas.

O Pequeno Nicolau foi poduzindo nesta linha de raciocínio dos produtores das animações mais recentes, pois é dedicado ao público infanto-juvenil; porém, não exculsivamente para eles, o que é uma sacada inteligente. Ora se faz-se um filmes destinado a um público mais amplo, e não apenas a uma determinada faixa etária, o lucro tende a ser maior. Por fim, é um excelente filme para ser assistido com toda a família.


Cinema Nacional






O cinema, um entretenimento maravilhoso, uma manifestação cultural, de logo alcance, através de filmes podemos conhecer lugares, distantes do nosso planeta e até de fora dele, ou mesmo mundos paralelos, fantásticos, com seres excepcionais. Em uma manifestação visual, quase material da imaginação humana, sonhos fantásticos que parecem criar vida. Mas lancemos um outro olhar para esta arte, o cinema também é uma poderosa ferramenta ideológica, é um dos instrumentos de dominação cultural estadunidense, assim como a música. Os filmes formam e ainda são muito importantes para a globalização do modo de vida, que no ocidente podemos dizer que está bem unificado.

A indústria cinematográfica americana domina o mercado, muito se deve a sua força econômica incomparável, sua hegemonia neste campo é incontestável desde a segunda guerra. Porém, estamos em um momento que esta hegemonia só se aplica em termos de quantidade, porque se tratando de qualidade, o cimena estadunidense não está tão a frente como em outro tempos. E não tenho o menor medo de dizer que em termos de qualidade o cinema brasileiro está no mesmo nível, e em uma briga para tomar a dianteira. A meu ver, desde Auto da Compadecida, o Brasil vem lançando filmes, excelentes, inovadores, criativos, empolgantes, críticos e com roteiros surpreendentes. E nenhum parecido com o outro, de modo que não dá para fazer um comparativo e dizer que um é melhor que o outro, que modo que qualquer tentativa neste sentido, corremos um sério risco de incorremos numa injustiça.

Hollywood tem a seu favor neste momento a tecnologia e dinheiro de sobra para investir. Não estou aqui menosprezando a capacidade criativa deles, estou sim dizendo que há um bom tempo eles não tentam coisas novas, não revêem suas fórmulas, não estou evoluindo. Reitero que a única coisa que os americanos estão na vanguarda é quanto aos efeitos especiais, eles possuem a tecnologia e o capital para estes empreendimentos. O Brasil vive agora seus anos de ouro do cinema, emplacando vários filmes de sucesso, e sua fórmula para este resultado positivo me parece que é: não seguir nenhuma fórmula. É inovar usar a criatividade, fazer filmes nossos, com nossas personagens, nossas falas, nossas gírias a xingamentos, nossos sotaques e costumes regionalistas, nossa esperteza, nossa ginga e samba no pé, nosso xaxado, nossos problemas, a ficção retratando a realidade.

Hollywood pode até ter coisas semelhantes a Se eu Fosse Você, ou Mulher Invisível, filmes até foram em grande parte inspirados em películas hollywoodianas. Mas não há como Hollywood produzir algo como Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, não há como eles chegarem a âmago de filmes como estes, exatamente porque este essência nos pertence. Muita das coisas engraçadas destes filmes, nunca vão ser engraçadas para eles, simplesmente porque não vão fazer sentido. São piadas nossas, feitas para nós, e que só fazem sentido para nós. O Brasil não precisa de um oscar americano, não precisamos ficar tristes porque nossos filmes que concorreram não levaram o prêmio. Eles são egocêntricos e estão acostumados, a filmes no padrão dos filmes deles. Se olharmos para os filmes que ganharam oscars nos últimos anos vamos nos defrontar em alguns casos com coisas muito ruins, por quê? Porque eles tem que dar o orcar para algum filme e tem que ser filme americano. Em um ano em que não se produziu nem que se destaque, o jeito é dar para um que considerem menos ruim.

A produção cinematográfica brasileira vive um momento de genialidade sem par, um exemplo atual é Tropa de Elite, foi lançado um filme fantástico, inovador, com um desencadeamento de acontecimentos, muito bem elaborado, desenrolar de idéias e falas, que nos prende a atenção o filme inteiro, dentre várias outras coisa, que poderia mencionar. Já não bastasse tudo isso, temos ainda um ator que toma as “rédeas” do filme, e mesmo não sendo necessário “carrega o filme inteiro nas costas”. Uma atuação fora de sério, que somente posso descrever como genial.

Eis que agora mostro a prova desta genialidade: temos este sucesso, acima relatado e ele tem uma sequência, Topa de Elite 2, qual seria a lógica para a produção deste sequência? A lógica seria seguir o famoso ditado: em time que está ganhando não se mexe. E o que foi feito? Mexeram sim, mexeram em tudo. A única coisa que pode se dizer que é o mesma é o protagonista e o que tenho a dizer é que, o ator é realmente o mesmo, mas o personagem do filme é outra pessoa, o capitão Nascimento do primeiro filme, não se parece em nada com o do segundo. A trama do filme é outra, as falas e idéias são outras, a crítica é outra. Mexeram no time que estava ganhando. E que foi o resultado? Uma grande goleada! A maior bilheteria do cinema brasileiro. Eis a prova de que o cinema brasileiro não tem medo de ousar, de ser criativo, de querer fazer o melhor. Agora me falem que diferença faz um oscar? O que a cinematografia nacional precisa é que nós brasileiros, passemos a dar preferência a nossos filmes quando estes estiverem em cartaz.

Ainda temos uma barreira grande para transpor, ainda é parte do imaginário coletivo a visão do cinema brasileiro sem conteúdo e carregado de erotismo. Eu ouvi em algum que uma vez que algo faz parte do imaginário coletivo, é extremamente difícil reverter esta visão. E acredito piamente, por eu mesmo ser prova disso, se eu brasileiro que assistir poucos destes filmes antigos em contrapartida já assisti diversos filmes nacionais recentes muito bons, ainda tenho esta idéia. Fico imaginado como ainda deve ser forte nos outros países este visão negativa dos nossos filmes. Será que um dia o cinema brasileiro terá uma platéia mundial como o americano? Hoje isso parece difícil, já que no Brasil um filme nacional de grande bilheteria ainda não possui uma arrecadação tão grande como os filmes de grande bilheteria americanos exibidos aqui. Porém fazer previsões sobre o futuro é uma coisa que nós não dominamos. São muitas variáveis, e quase todas imprevisíveis. É uma coisa que gostaria de ver, o jeito brasileiro de ser, sendo espalhado para o mundo.