quarta-feira, 24 de março de 2010

Avatar - O Novo Faroeste



Como ja dito no título: Avatar é um filme de faroeste, modernizado, e com algumas diferenças importantes, que merecem ser analisadas, principalmente no desfecho, que reflete uma mudança de valores morais, estes que, se não são na prática verdadeiros, não podem ser exposto da mesma forma que antes, devido a uma mudança de mentalidade. Mas à frente pretendo explicar o que estou querendo dizer, espero que consiga fazê-lo de forma satisfatória.

Farei os comentários baseados em um livro que li e que inclusive já mencionei na postagem anterior. O livro é: Narrativa Trivial; Kothe, Flávio; ed. UnB. Durante o filme me lembrei de algumas coisas que li neste livro.

Os primeiros personagens que irei comentar serão as criaturas azuis e gigantes da floresta, que se equivale ao índio do nosso faroeste. Na verdade eu não posso fazer aqui uma análise mais profunda, porque não cheguei realmente a assistir um filme deste gênero, falo aqui com base no livro mesmo. Acredito porém, que este índio tem uma mistura de vários “selvagens” de tribos de diversas partes do planeta. Os rituais não foram jogados ao acaso, acredito que teve ao menos um pouco de pesquisa a este respeito. Existem uns tópicos antropológicos ali, que podemos analisar: a aversão ao estrangeiro, o rito de passagem, o xamã, o líder guerreiro, o misticismo, os rituais, ficou uma falha: não mostrou a alimentação deles.

O personagem principal fez o papel do típico antropólogo, indo de encontro ao selvagem aprendendo sua língua, sua cultura, seus hábitos, sua religião e desta forma conseguiu ganhar a confiança do selvagem. A grande diferença dos antropólogos do início e dos dias atuais é que estes se transformavam no nativo, a inserção na tribo pode ser completa, de modo que para esta sociedade ele se tornou um deles.


O último e mais curioso personagem que irei analisar é o vilão, o general com cicatriz na cabeça, é o personagem mais interessante do filme. Hoje ele é o vilão mais há poucos anos atrás ele era o típico mocinho, que mata um monte de nativo consolidando a dominação da raça superior invasora. Estou me referindo aos filmes de faroeste, onde o mocinho era o cowboy branco, rápido no gatilho, destemido e que matava todos os malvados e impuros índios. O mocinho era o personagem central de toda a trama, tudo acontecia por sua causa, e ele tinha plenos poderes sobre a vida de qualquer um que considerasse mau, ele os julgava e executava a sentença, sem precisar consultar ninguém ele próprio era justiça. O general de Avatar era este mesmo personagem, com a mesma missão e poderes, a diferença é que ele foi apresentado como o vilão. Isso mostra uma mudança de comportamento diante de certas questões, será que os americanos estão vendo as outras culturas de forma diferente? Será que agora estão conscientes do genocídio que cometeram? Pode ser que sim, mas acho mais provável que este discurso que não cabe mais.

Seria muito fácil tornar o mocinho, o herói da história de novo, bastava apenas fazer os selvagens parecerem maus novamente, por exemplo, se no momento que o herói do filme (agora me refiro ao adotado no filme como tal), conta para os selvagens que ele é um traidor, e estes estivessem o matado, já seria um motivos mais que justificado para os estrangeiros matassem sem piedade todos os nativos e ainda nos parecerem os certinhos da história.

Preciso esclarecer que não é porque postei uma análise sobre o filme, não quer dizer que gostei muito do filme, o mesmo vale para a postagem anterior sobre o livro crepúsculo. O que gostei de verdade no filme foi o 3D, realmente excelente! Uma verdadeira revolução no cinema, com já dito em muitos lugares. Não vou tentar descrever o 3D para quem não assistiu, porque tenho quase certeza que não conseguir nem me aproximar, do que efetivamente é.

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