quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ensaio de uma análise Interpretativa do filme As Aventuras de Pi





A ideia principal é a fé, o próprio Piscine Molitor Patel (Pi) fala isso para o escritor que história que ele vai contar é como a existência de Deus cabe ao interlocutor acreditar ou não.  Pi conta ao escritor duas histórias: a principal, a que ele divide o bote com o tigre e a outra que  ele conta para os japoneses que estavam escrevendo o relatório para a seguradora do navio. Nesta versão não há animais no bote, com exceção do rato, e sim o cozinheiro do navio (que era uma pessoa repugnante, moralmente falando), o japonês vegetariano (que machucou a perna no momento em que o navio afundava), e a mãe de Pi que chega em cima de uma carga de vários cachos de banana amarrados. Esta segunda versão foi contada a pedido dos japoneses, eles queriam uma história que fizesse sentido, uma que eles pudessem escrever no relatório do naufrágio.

Em síntese nesta história o cozinheiro é um sujeito deplorável que, aos olhos de Pi, comete varias atrocidades, a começar por comer um rato, em um momento em que havia bastante comida.  Apesar da desnecessidade de se comer o rato naquele momento, este que é, quando nos referimos à alimentação humana, um animal asqueroso,  e para o protagonista é mais ainda, visto que ele é vegetariano. E seguida o cozinheiro sacrifica o japonês, já que ele tem poucas chances de vida devido ao ferimento na perna e é preciso economizar suprimentos, posteriormente, em uma discussão, o algoz mata a mãe de Pi. Ao fim deste último ato de crueldade ele percebe que foi longe demais e sabe que por causa disso Pi irá matá-lo e aceita este destino, e Pi assim o faz. Despertando seu lado selvagem. Este, que fora crescendo a cada atrocidade cometida pelo cozinheiro.

O interessante é que Pi, no leito do hospital ainda debilitado e exausto após relatar uma história longa na qual, ele era um náufrago acompanhado por um animal hostil. Diante do pedido de uma história mais verossímil, solta de uma vez uma história totalmente diferente, cujas semelhanças podem ser feitas de forma interpretativa, e o escritor assim o faz, devido a esta habilidade, que é própria de sua profissão. Ele faz uma equiparação dos personagens das duas histórias contadas por Pi, associando o cozinheiro à hiena, o japonês ferido à zebra ferida,  a mãe de Pi ao macaco (ambos chegaram em cima da carga de bananas) e por fim, Pi ao tigre. Este representa o lado selvagem de Pi que foi despertado devido à necessidade de sobrevivência.

Afinal qual história é a verdadeira? Alguns elementos relacionados à direção do filme e a lógica literária, levam a crer que a segunda história é a verdade. A começar por aspectos técnicos ligados direção, há algumas cenas que aparentemente são falhas do diretor, no entanto, é bastante improvável que realmente foram descuidos. São elas: no momento em que o tigre ataca a hiena, ela simplesmente desaparece, com o orangotango acontece a mesma coisa, contudo no caso da hiena é como se o tigre a devorasse com uma só bocada, como se fosse um animal de pequeno porte. A Zebra é o único animal morto que permanece por algumas tomadas, mas também desaparece sem que fique o menor vestígio.

Mudando um pouco a perspectiva analítica, considerando que o texto original que é uma obra literária, e na lógica desta, buscar-se-á aqui chegar à conclusão de qual história é a verdadeira.  O fato da segunda versão da história ter surgido de forma bastante natural diante do pedido de uma história mais plausível, é um dos fatores que leva a crer que a última é a verdadeira. A simples razão de ela ser contada acaba sendo quase uma evidência. E mais, as histórias não foram contadas a uma pessoa qualquer e sim, à alguém com habilidades de para fazer interconexões entre ambas, no caso, um escritor. Este é um forte indício de que segunda versão não foi colocada sem um objetivo pré-determinado, que é: o de deixar subtendido que a história com pessoas é a que realmente aconteceu.


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